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Cronicamente Fabulosa

Tenho fibromialgia, mas também sou fabulosa e esta é a grande aventura que é a minha vida.

Cronicamente Fabulosa

Tenho fibromialgia, mas também sou fabulosa e esta é a grande aventura que é a minha vida.

B is for bullet

por AF, em 10.02.19

É oficial: juntei-me ao grupo de pessoas com um bullet journal.

Sabem toda aquela história de eu ter sempre a cabeça desorganizada e não me conseguir lembrar de certas coisas ou da necessidade que tenho de ser criativa quando nunca consigo? Bom, descobri a solução.

Há muitos anos que mantenho um pequeno caderno preto como uma espécie de diário em que escrevo os meus pensamentos mais íntimos e de vez em quando lá desenho qualquer coisa engraçada. Antes disso, é importante contar-vos que passei a minha vida a coleccionar caderninhos onde escrevia imensas histórias, textos e coisinhas sem graça nenhuma que me passavam pela cabeça. Quando eu era adolescente garanto-vos que não me encontravam em lado nenhum sem um caderno.

Ora, gostando eu tanto de escrever e de cadernos... .e material de papelaria no geral (eu sei, é um vício muito sério!) nunca resisti na altura de pôr mãos à obra e de me sentir uma menina pequena no seu primeiro dia de escola. É aqui que se coloca o problema. Cada caderno era para uma coisa diferente, não podia misturar certas coisas em cadernos mais elegantes porque só podiam ser para aquilo e ficarem bonitos e o pior: a quantidade de cadernos em branco que tenho guardados em casa pelo simples facto de não os querer estragar com a minha letra feia e clara falta de jeito para desenhar.

Mas enfim, há uns meses atrás lá comecei a encontrar na internet páginas lindíssimas de algo que parecia uma agenda só que não era bem uma agenda. Era algo mais. Era especial!

Então fiquei obcecada com este dito bullet journal e andei meses e meses à procura de um caderno pontilhado que não custasse os olhos da cara para poder começar. Queria ser produtiva, queria ser criativa, queria ser especial.

Na altura não encontrei e fiquei muito chateada por ter apenas mínimas opções que eram demasiado e desnecessariamente caras e então continuei com o meu caderno preto a explorar a minha criatividade. Nunca fui pessoa de escrever todos os dias religiosamente no diário porque dou por mim muitas vezes cansada e sem paciência. Já devem ter reparado pelo meu blog.

De qualquer das formas era importante ter algo que me permitisse organizar os pensamentos e experimentar rastrear coisas que seriam importantes para o meu bem estar como as minhas horas de sono e o humor ao longo do dia. Para além disso, e chamem-me picuinhas à vontade, queria uma coisa que ficasse verdadeiramente agradável à vista. Então imaginem só a minha cara quando no Natal estou a abrir os presentes e recebo o quê? Exacto, um caderno pontilhado!

Acreditem que quase dancei.

Mas não menosprezem a minha enorme capacidade de procrastinar por não acreditar nas minhas capacidades ou o tal medo de deixar tudo feio. Demorou um mês e alguns dias para que eu conseguisse pegar no caderno e o transformasse no meu bullet journal. 

Ganhei finalmente coragem quando um dia no hospital, uma das psicólogas mencionou que podíamos começar a fazer um mood tracker ou se quiséssemos um bullet journal. Eu já tinha planeado naquele fim de semana começar mas ainda não tinha tido o empurrãozinho. Quando cheguei a casa comecei.

Estraguei logo a primeira página! Ia a escrever "bullet journal" na primeira página pontilhada para fazer uma capa bonita e comecei a fazer as letras demasiado grandes. Fiquei logo assustada mas como sou uma tipa que às vezes até tem umas ideias fixes: transformei o "bull" em "BOO!", desenhei um fantasma e essa foi a minha primeira página.

Desde então nada tem corrido como eu idealizo quando vou fazer uma página mas decidi não me preocupar e dar asas à imaginação. Uso cores diferentes, tipos de letra diferentes e muitas ideias que encontro na internet. Assim vou-me organizando,  vou sendo criativa e acima de tudo vou transformando o que sinto em algo saudável e produtivo.

Finalmente encontrei uma forma gira de organizar os pensamentos.

Agora falta organizar o resto mas isso fica para a próxima!

Nevoeiro mental

por AF, em 16.01.17

Hoje escrevo-vos num misto de frustração e desabafo.

Desde que fui diagnosticada, até agora, fui aprendendo muito sobre mim e algumas coisas começaram a fazer muito sentido ao ponto de eu perceber que certos defeitos meus que apareceram nos últimos tempos são, de facto, sintomas da fibromialgia.

Acontece que desde há quase dois anos para cá me comecei a sentir muito mais confusa em relação a pequenas coisas do dia-a-dia como o meu nome, idade ou até palavras simples que não me devia esquecer. E é aqui que vocês dizem: "mas a fibromialgia não provoca esse tipo de coisas, deves estar a fazer confusão".

Talvez até esteja. Honestamente já não sei muito bem expressar-me e transmitir as minhas ideias e pensamentos de forma coerente sem que me esqueça do que estou a dizer a meio. Isto não vai piorar nem acontece sempre mas não posso deixar de referir que me chateia imenso.

Quando era pequena sonhava que um dia me tornaria numa mulher de sucesso, poderosa e admirada por todos. Sonhei que conseguiria lutar pelos meus sonhos e ter uma inteligência acima da média que me abriria incontáveis portas de oportunidades. Hoje, sento-me aqui à frente do computador (extremamente frustrada devo repetir) e vejo que nada do que planeara aconteceu.

A minha mente enche-se de nevoeiro quando tento organizar os pensamentos e vagueia por vários lugares sem me pedir autorização. Talvez já tenham percebido como perco o fio à meada em certas publicações deste blog ou se calhar consegui disfarçar muito bem porém é uma verdade irrefutável que me custa escrever algo do início ao fim sem esquecer ou atropelar-me a mim própria numa nuvem de ideias entrelaçadas.

Nisto, devo também mencionar que não me livro das consequências deste nevoeiro mental. Tenho a sensação de que as pessoas à minha volta ficam constantemente com a percepção de que eu sou uma irreponsável que não sabe falar ou expressar-se e que gagueja demasiado.

Se falassem comigo há cerca de três ou quatro anos atrás garanto-vos que não era assim. Mais uma vez sinto que devo afirmar que não procuro qualquer tipo de pena neste blog. Pelo contrário, a minha intenção é fazer-vos conhecer mais sobre uma doença raramente falada e desconhecida. Não é algo que me mate nem é algo que me incapacite para o resto da minha vida mas viver com fibromialgia não é tarefa fácil.

Hoje estou frustrada. Sinto que não consigo passar o dia com as minhas completas capacidades cognitivas e isso deixa-me exausta como se tivesse acabado de correr a maratona. Se pudesse desligar-me durante uns dias para recarregar baterias não hesitaria em fazê-lo.

Hoje não estou fabulosa. Estou só crónica e honestamente quem me dera não estar.

Dias maus.

por AF, em 12.01.17

Hoje é para mim um dia mau.

Não num sentido psicológico porque até estou bem disposta mas num sentido em que todo o milímetro do meu corpo dói e nada que eu faça consegue parar esta dor.

É difícil de explicar como isto me afecta, não sei muito bem como vos fazer entender. Pegando novamente na teoria das colheres, hoje comecei o dia sem colheres. Aparentemente gastei-as todas a dormir e nem dem por isso. Portanto, levantei-me sem forças e a sentir todos os músculos do meu corpo tão presos que por momentos pensei que se iam rasgar.

Também não arranjei colheres para conseguir tomar banho sozinha. Mais uma vez, senti-me uma criança. Mas confesso que o banho me ofereceu um alívio temporário já que me relaxou ligeiramente. Por mais que quisesse os músculos continuaram todos presos.

Nem me façam falar dos meus dedos. Mesmo agora a escrever no teclado do computador sinto-os a prenderem e a doerem sem razão aparente. E pior, sem conseguir combater esta dor.

Eu sei, eu sei que tenho comprimidos analgésicos e relaxantes musculares para me ajudarem, no entanto é importante salientar que eles nem sempre funcionam como nós queremos. Na maioria das vezes, diminuem um pouco aquilo que sinto e camuflam a dor durante alguns minutos ou horas. Mas nunca desaparecem completamente.

Hoje é um dia mau porque me sinto incapaz de viver. Consegui ir trabalhar (não me perguntem como) e aguentei o horário sem desistir. Nisto fico contente porque consegui lutar contra a fibromialgia. Embora, se querem saber, só me apetecia atirar para o chão o tempo todo e chorar como um perfeito bebé.

Como se estas dores ridículas não bastassem para piorar o dia, a minha memória também me ataca constantemente e prega-me partidas. Pareço uma maluquinha que num instante sabe uma coisa e no seguinte já a esqueceu. Complico tudo, misturo pensamentos e acabo por fazer figura de parva a maior parte do tempo.

Se ainda não sabiam que a fibromialgia faz com que os pensamentos se confundem e desaparecem num abrir e fechar de olhos então conto-vos hoje que sim, isso é possível e acontece.

Resumindo, hoje foi um dia mau. Amanhã será melhor, mas até lá vou tentar não gastar nenhuma colher e descansar o máximo possível.

Desejem-me sorte!

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