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Cronicamente Fabulosa

Tenho fibromialgia, mas também sou fabulosa e esta é a grande aventura que é a minha vida.

Cronicamente Fabulosa

Tenho fibromialgia, mas também sou fabulosa e esta é a grande aventura que é a minha vida.

Festas de anos, loucura e pré adolescentes.

por AF, em 25.02.19

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Antes que digam alguma coisa... sobrevivi!

Não foi nada fácil, devo dizer. Mais de dez crianças entre os dez e os onze anos enfiados numa sala a pular de um lado para o outro, a gritar, a cantar, a dançar, a rir, a falar.... ENFIM. Acho que percebem a ideia.

Quando me lembro de trabalhar num sítio em que parte da minha função era entreter miúdos com jogos divertidos, vem-me à ideia que nessa altura era muito mais fácil chamar-lhes a atenção. Mas eu não sou uma desistente e tal como antigamente peguei nuns jogos interessantes e nada infantis para eles se divertirem.

E podem crer que se divertirem. Divertiam-se tanto que às vezes eu tentava falar e não conseguia ser ouvida nem por mim própria! Já sei aquilo que os professores sentem na escola e com isto deixo um enorme pedido de desculpas a todos os professores que já tiveram de me aturar.

De qualquer das formas sinto que foi uma missão cumprida. Os meus pais arrasaram na decoração: puseram as minhas ideias em prática, juntaram-lhe magia e ficou tudo espectacular. A família toda conseguiu encher a minha irmã de alegria com as prendas que ela nunca esperaria. Os doces eram bons - eu não posso falar por mim porque passei o fim-de-semana inteiro a torradas. Chorem por mim.

Os presentes nos saquinhos estavam originais com um marcador de livros feito por mim, impresso pelo meu tio e plastificado pela minha tia - chama-se a isto teamwork malta.

Enfim, em suma acho que a minha irmã adorou o dia de festa em que se divertiu imenso com os amigos, recebeu prendas giras, riu, dançou, jogou, comeu doces e teve as atenções todas nela.

E eu como irmã babada como é óbvio também adorei. Mas aqui entre nós deixem-me dizer-vos que o que adorei mesmo foi chegar à cama no fim do dia e adormecer que nem uma pedra.

Por isso já sabem, se tiverem alguma fase de insónias a solução é uma festa de pré-adolescentes. Funciona melhor que comprimidos!

Estou mesmo a ficar velha... bolas!

Onze.

por AF, em 20.02.19

Dia 22 é dia de festa!

Acontece que há exactamente onze anos atrás eu não fazia a mínima ideia que a alegria da minha vida estava na barriga da minha mãe à espera de nascer. Foi a dia 22, às 17h31 que o meu mundo mudou.

Passei de "não quero, recuso-me, detesto a ideia de ter uma irmã" a "que bebé mais linda e fofinha, quero protegê-la para sempre". Não fiquem chateados, estava naquela idade difícil dos 14 anos em que tudo no mundo é horrível. Não é que agora tudo no mundo seja bonito, mas graças a deus já não estou na idade parva!

Como eu estava a dizer, ela nasceu e veio transformar a minha vida para sempre. Não há criança no mundo que para mim seja mais linda, mais divertida, mais fofinha e mais capaz de vencer qualquer coisa que meta na cabeça. A minha irmã vai ser uma super-heroína. Só ainda não é porque a licença de super-herói só pode ser tirada aos 18 anos. Paciência minha gente.

Com toda esta excitação (leia-se profunda nostalgia) do tempo ter passado tão rápido e da minha bebé pequenina já ser uma pré-adolescente, não há nada mais indicado para festejar o dia como uma grande festa!.... no dia seguinte.

As festas de crianças ainda têm que esperar para fins-de-semana, sim.

Então estamos todos numa missão difícil mas não impossível de criar a melhor festa de sempre - sem ser como aqueles pais americanos ridículos que parecem criar dinheiro do nada com orçamentos estupidamente alargados que nem sabemos como - para a nossa menina passar um dia maravilhoso.

Decoração, convidados, doces (muito importante!) e tantas outras coisas que já nem me consigo lembrar do cansaço acumulado de andar à procura de coisas bonitas para a festa. O continente falhou-me completamente e se o nosso amor ainda não tinha acabado hoje tenho a dizer que encontrei um novo amor: o chinês.

Não há melhor sítio para usar a imaginação, deixem-me dizer-vos.

Mas é isto, eu e a minha família andamos todos numa demanda profunda para planear uma festa de uma pré-adolescente por isso agora têm que me aturar assim.

Veremo-nos então depois do sábado... se eu sobreviver!

Vida social VS Fibromialgia

por AF, em 08.01.17

Quase todas as pessoas que conheço me dizem para sair mais e me divertir porque estou sempre em casa fechada. Mal elas sabem a razão que me leva a tal.

Lembram-se da teoria das colheres? Pois bem, se eu eventualmente decidir sair e passar algum tempo com amigos ou ir passear a qualquer lado, as minhas colheres para aquele dia vão gastar-se muito mais rapidamente do que num dia normal.

No momento de tomar a (tão importante) decisão de tentar ser uma jovem normal nos seus loucos anos 20, tenho que me lembrar de inúmeros factores. Estará frio? Terei que andar muito? Como irei até lá? Quanto tempo demorará? Como voltarei? Será que vale a pena ficar cheia de dores só para uma ou duas horas de diversão?

Sim, sei o que estão a pensar e têm toda a razão. A verdade é que não posso perder a minha vida social ou a minha felicidade por ter esta doença e devia-me esforçar para fazer certas coisas mais difíceis que me possam ajudar a contornar a fibromialgia. O problema é que quanto mais tento fazer e por mais que me esforce as coisas não mudam. Ela está lá sempre.

Isto não invalida o facto de eu, de vez em quando, decidir realmente que quero sair e divertir-me. Acontece é que no fim acabo por ter aquela pontinha de arrependimento quando me deito e sinto as dores a percorrer o meu corpo todo. Por isso, sim. É muito mais fácil ficar em casa descansada e evitar actividades que me possam magoar.

Quando me convidam para isto e para aquilo e eu nego, não é por uma questão de não querer estar com as pessoas ou de ser anti-social. É tudo para salvaguardar o meu bem estar porque eu sei que se o fizer me vou sentir muito pior.

Gostava de poder ser diferente. Mas não sou. A fibromialgia escolheu-me e veio para ficar.

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