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Cronicamente Fabulosa

Tenho fibromialgia, mas também sou fabulosa e esta é a grande aventura que é a minha vida.

Cronicamente Fabulosa

Tenho fibromialgia, mas também sou fabulosa e esta é a grande aventura que é a minha vida.

Experiências

por AF, em 08.11.17

Sei que tenho andado ausente mas acontece que de há umas semanas para cá tenho andado a fazer uma experiência: ir ao ginásio.
Não vos vou mentir, não tem sido fácil.
Continuo a ter a opinião de que devemos tentar mexer o corpo porque isso nos faz sentir melhor. No entanto, nem tudo é um mar de rosas.
As dores continuam. Existem dias em que eu quero ir e não consigo porque sinto-me como se me tivessem a espetar facas nas pernas ou noutro sítio do corpo. Aqui não há margem para me chamarem preguiçosa porque, sabem que mais? Eu gosto mesmo de ir ao ginásio.
Fico lá uma hora e meia a fazer exercício e sozinha com a minha cabeça. Ninguém me chateia, ninguém fala para mim. A música toca nas colunas e eu não me foco nela, foco-me em mim. Às vezes uso-a como meio para entrar no ritmo e manter-me nele durante o tempo necessário para acabar aquele aparelho.
Faço uns abdominais (uau, quem diria que voltaria a conseguir!) e há dias em que me atrevo a tentar a musculação para aliviar certas dores nas costas. Em suma, é maravilhoso.
Ou pelo menos até me deitar à noite.
Não se assustem, não é pelo corpo dorido. O problema é que já há muito tempo que não durmo bem à noite. Não consigo. Quando durmo ou tenho pesadelos ou acordo várias vezes. A cabeça desliga-se mas o corpo parece que vai correr a maratona durante aquelas oito horas (ou mais, muito mais) em que estou a tentar dormir. E nisto, acabo por acordar muito mais cansada do que quando me vou deitar.
Mas o ginásio continua lá e eu tenho que ir. Esgotada e com dores que aparecem sabe-se lá de onde eu tenho que insistir e voltar a ir.
E vou.
O meu corpo tem vontade própria. Por isso, ele é que decide quando e onde me quer torturar. E deixem-me dizer-vos que a vinte minutos de terminar a meia hora que devo fazer na passadeira não é, de todo, a melhor altura para as minhas pernas começarem a doer ou deixarem de funcionar. Enfim.
O lado positivo disto tudo é que estou realmente a emagrecer. É uma viagem muito lenta (e complicada) mas os quilos estão a cair.
E é isso que me faz continuar. Saber que estou a lutar por mim e a não deixar a fibromialgia vencer-me. Porque eu sou mais forte.
Agora é só não desistir e esperar não cair na passadeira à frente de todos só porque as minhas pernas decidiram colapsar.
Desejem-me sorte!

Mexer o corpo.

por AF, em 13.10.17

IMG_20171013_183826.jpg

Admito, eu normalmente sou uma completa preguiçosa.

Não tenho paciência para correr ou dar caminhadas. Não gosto de passar o dia inteiro a ver TV sem dormir a minha soneca. Odeio subir escadas. É isso, sou preguiçosa.

Acontece que, recentemente, participei num fantástico evento desportivo realizado por um clube de futebol conceituado que consistia em pôr toda a família a jogar futebol. Estão a imaginar-me a jogar futebol certo?

O que vocês não fazem ideia (nem o meu tio fazia) é que eu até tenho jeitinho para a coisa. Marquei uns quantos golos, roubei umas bolas, tenho quase a certeza que fiz uma ou duas fintas... enfim! Foi um dia extremamente produtivo para a recém profissional de futebol e futura melhor jogadora do mundo, Filipa!

Só que não.

Nisto tudo, na manhã de desporto em que corri de um lado para o outro, saltei, fiz imensos exercícios e afins, aprendi algo muito importante. Afinal é mesmo necessário para nós, aqueles com fibromialgia, fazermos exercício. Posso garantir que, no tempo em que estive a jogar e a correr ao sol, me senti saudável como já não sentia há imenso tempo, como se não tivesse fibromialgia!

É claro que no dia seguinte acordei sem me mexer e passei o dia na cama mas isso, como se costuma dizer, são outros quinhentos. O que interessa é iniciar!

Não podemos esperar ficar automaticamente curados por fazermos 15 minutos de exercício. Até porque a fibromialgia não tem cura. Mas se devagarinho formos tentando mexer o corpo acontece que ele nos vai dando ouvidos.

Não precisam de ir horas a fio para o ginásio levantar pesos (a sério, não tentem), ou ir correr a meia maratona de Lisboa. Experimentem só fazer uma pequena caminhada, dançar descontraidamente ao som de uma música ou até mesmo fazer uns quantos alongamentos. Explorem os limites do vosso corpo mas não os ultrapassem.

A fibromialgia manda-nos ter calma.

E é isso. Senti-me bem. Joguei à bola como uma criança feliz, conheci pessoas simpáticas, aprendi jogos diferentes. E no fim, sentei-me na relva a sentir o sol a tocar-me o corpo e senti-me feliz.

Passados dois anos finalmente me senti normal. E pode não parecer mas isso é algo tão bom de sentir. Acreditem.

Por isso já sabem, e mesmo todos vocês que são "normais", aproveitem o dia e experimentem fazer exercício. Para além de se sentirem extra bem também se vão sentir felizes. E não há nada melhor do que nos sentirmos felizes.

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