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Cronicamente Fabulosa

Tenho fibromialgia, mas também sou fabulosa e esta é a grande aventura que é a minha vida.

Cronicamente Fabulosa

Tenho fibromialgia, mas também sou fabulosa e esta é a grande aventura que é a minha vida.

É isto...?

por AF, em 15.06.17

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E pronto.

Cheguei àquele ponto da minha vida que temia. Aquele em que quero continuar a lutar e ser alguém mas estou fisicamente incapaz de o fazer.

Piorei. À primeira vista não parece nada, continuo a parecer tão normal como qualquer outra pessoa. Não é que eu seja anormal, porque não sou embora me sinta como tal muitas vezes. O que importa aqui é aquilo que se passa no interior. Aquilo que ninguém vê.

Por exemplo, eu adoro o meu trabalho. Sinto-me verdadeiramente em casa. Gosto realmente do que faço e não há razão para ficar triste ou não querer estar lá. Daqui a pouquíssimos meses vou deixar a empresa com muita pena minha e o coração partido e deixa-me tão frustrada saber que estou a perder os últimos momentos, que tenho naquela família, em casa e na cama.

Eu tento levantar-me e mexer-me. Arrumo o quarto, tento sair de casa para andar porque, quem sabe, pode ser que isso resulte e eu fique melhor. No entanto nada do que eu faça parece resultar. Os medicamentos não funcionam, os médicos não ajudam e ninguém me dá respostas ou soluções para combater isto. Estou farta!

Nunca pedi isto. Nunca quis que a minha vida ficasse condicionada desta forma ou que o meu futuro fosse destruído. Os meus sonhos morreram, as minhas ambições roubadas. Estupidamente ainda continuo a sonhar e a ter esperança mas nada disso me vale de nada quando à minha frente tudo o que eu tento construir é imediatamente albaroado por uma enorme bola de demolição.

Eu vou continuar a lutar. Não tenho outro remédio. Mesmo que quisesse desistir isso não seria opção. Eu quero acreditar que existe um lado bom no meio de tudo isto, que virá a bonança depois desta terrível tempestade.

Eu só me queria sentir verdadeiramente bem nem que fosse por uns minutos. Queria poder mostrar a toda a gente como posso dar 100% a trabalhar ou a fazer qualquer coisa que eu me comprometa a fazer porque eu sei que consigo. Só que quando ao mesmo tempo me sinto como se me estivessem a apulanhar ou a pontapear em cada centímetro do meu corpo sem aviso... Aí fica mais complicado.

Eu só preciso de parar a dor. Se eu a conseguir parar tudo vai ser tão mais fácil a partir daí. Só preciso disso.

Não é pedir muito, pois não?

Dias maus.

por AF, em 12.01.17

Hoje é para mim um dia mau.

Não num sentido psicológico porque até estou bem disposta mas num sentido em que todo o milímetro do meu corpo dói e nada que eu faça consegue parar esta dor.

É difícil de explicar como isto me afecta, não sei muito bem como vos fazer entender. Pegando novamente na teoria das colheres, hoje comecei o dia sem colheres. Aparentemente gastei-as todas a dormir e nem dem por isso. Portanto, levantei-me sem forças e a sentir todos os músculos do meu corpo tão presos que por momentos pensei que se iam rasgar.

Também não arranjei colheres para conseguir tomar banho sozinha. Mais uma vez, senti-me uma criança. Mas confesso que o banho me ofereceu um alívio temporário já que me relaxou ligeiramente. Por mais que quisesse os músculos continuaram todos presos.

Nem me façam falar dos meus dedos. Mesmo agora a escrever no teclado do computador sinto-os a prenderem e a doerem sem razão aparente. E pior, sem conseguir combater esta dor.

Eu sei, eu sei que tenho comprimidos analgésicos e relaxantes musculares para me ajudarem, no entanto é importante salientar que eles nem sempre funcionam como nós queremos. Na maioria das vezes, diminuem um pouco aquilo que sinto e camuflam a dor durante alguns minutos ou horas. Mas nunca desaparecem completamente.

Hoje é um dia mau porque me sinto incapaz de viver. Consegui ir trabalhar (não me perguntem como) e aguentei o horário sem desistir. Nisto fico contente porque consegui lutar contra a fibromialgia. Embora, se querem saber, só me apetecia atirar para o chão o tempo todo e chorar como um perfeito bebé.

Como se estas dores ridículas não bastassem para piorar o dia, a minha memória também me ataca constantemente e prega-me partidas. Pareço uma maluquinha que num instante sabe uma coisa e no seguinte já a esqueceu. Complico tudo, misturo pensamentos e acabo por fazer figura de parva a maior parte do tempo.

Se ainda não sabiam que a fibromialgia faz com que os pensamentos se confundem e desaparecem num abrir e fechar de olhos então conto-vos hoje que sim, isso é possível e acontece.

Resumindo, hoje foi um dia mau. Amanhã será melhor, mas até lá vou tentar não gastar nenhuma colher e descansar o máximo possível.

Desejem-me sorte!

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