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Cronicamente Fabulosa

Tenho fibromialgia, mas também sou fabulosa e esta é a grande aventura que é a minha vida.

Cronicamente Fabulosa

Tenho fibromialgia, mas também sou fabulosa e esta é a grande aventura que é a minha vida.

Ajuda

por AF, em 27.07.18

 

Preciso de ajuda.

Não, não tem mal eu estar a dizer isso nem faz de mim uma pessoa mais fraca. Estou a chegar ao meu limite por isso preciso de ajuda.

Todos os dias acordo a pensar que seria mais fácil não existir porque não sentia dores. Não me interpretem mal, logo a seguir convenço-me de que sou super forte e consigo fazer tudo aquilo que quero por isso não tenho outro remédio se não enfrentar o dia. Continuo a trabalhar, a existir e a fazer aquilo que tenho que fazer porque, honestamente, sempre que me apanho sem nada para fazer não consigo escapar à minha cama.

É que dói-me tudo. As costas, as pernas, os braços, o pescoço... a minha própria existência.

"Filipa, pára de ser dramática!" Vamos fazer um exercício, pode ser? Ponham-se à frente de um camião tire, sejam atropelados por ele, depois deixem um elefante passar por cima de vocês. Nisto, têm que ter centenas de agulhas pequeninas espetadas no vosso corpo e ainda têm que aguentar o resto do dia com uma mochila de 20kg às vossas costas enquanto fazem a vossa vida normal. E isto é só uma parte. Depois de suportarem tudo digam-me se estou a ser dramática.

É assim que me sinto todos os dias. Tenho dias melhores, é claro, mas as dores nunca me deixam. Nunca tenho um momento de descanso em que posso dizer que estou verdadeiramente bem e tenho tantas, mas tantas saudades disso.

Continuo com a cabeça numa confusão tão grande que me custa pensar normalmente. E está sempre a doer também como se estivesse numa ressaca permanente sem nunca me ter embebedado.

Não, não é nada fácil e eu continuo a tentar. Mas estou cansada disto. Estou cansada das dores e cansada de que a única solução para elas seja drogas e mais drogas. Estou cansada de pensar que tenho que fazer exercício para ficar melhor mas nem com o peso do meu corpo aguento, quanto mais a dificuldade de uma passadeira uma elíptica ou outra coisa qualquer.

Cansada de médicos que desistem. Cansada que me digam que "não se pode fazer nada pela coluna" ou que "a fibromialgia é assim: tens que aprender a viver e aceitar". Estou cansada que seja verão e eu queira sair mas não tenha forças nem paciência para deixar a minha própria casa.

Apetece-me desistir. Se soubessem o quanto me apetece desistir! Mas não o faço, continuo aqui a lutar todos os dias e a tentar vencer uma luta que estou destinada a perder. Custa-me tanto. Por isso é que digo que preciso de ajuda. Preciso de algo diferente, algo que mude. Preciso de conseguir libertar-me destas grilhetas invisíveis que me tornam prisioneira no meu próprio corpo. Preciso tanto de ser livre!

E depois penso que todas as pessoas com fibromialgia se devem sentir assim e sinto-me tão triste, tão derrotada por não poder ajudar ninguém. Por não ser uma mente brilhante para descobrir ou rica para financiar uma cura. Por não poder tirar as dores aos outros. Por não poder tirar as minhas próprias dores! Sinto-me impotente perante isto.

E é por isso que preciso de ajuda.

Gostava que ela resultasse desta vez.

Flash, a preguiça.

por AF, em 20.04.17

Chamem-me Flash.

Não, não é por eu ser rápida como o super herói. Pensem no animal. Mais especificamente uma personagem de um filme vencedor de óscar e adorada por toda a gente. Exacto. Flash, a preguiça. Mais vale adoptar já esta alcunha uma vez que toda a gente gosta de me chamar preguiçosa e de fazer ocasionais referências à icónica personagem do Zootrópolis.

Confesso que nunca fui uma daquelas pessoas super activas que nunca consegue estar sentada sem fazer nada. Mesmo quando era criança e tinha uma grande quantidade de energia para brincar continuava a ter os meus momentos calmos para carregar as baterias.

Agora considerem o seguinte: as minhas baterias ficaram viciadas portanto hoje em dia preciso de parar muitas mais vezes para restabelecer as minhas energias e poder continuar a viver a minha vida normalmente. Não é que eu não queira correr ou fazer outro tipo de exercícios. São tantas as vezes em que a ideia de ir para o parque gastar energia e ser mais saudável me passa pela cabeça. De dançar ou de me envolver em algum tipo de aula que me pudesse ajudar. Yoga, pilates, natação, hidroginástica... O problema é que elas não passam disso, de ideias.

O simples facto de subir escadas ou andar uns quantos metros do autocarro até casa deixa-me não só cansada como dorida e incapaz de passar da ideia à acção. Por isso sim, podem chamar-me preguiçosa e dizer que eu só gosto de dormir e de estar deitada sem fazer nada. Mas ao dizerem que sou o suprassumo da preguiçosa tenham em consideração o difícil que é para mim, por exemplo: pegar em coisas pesadas, manter-me constantemente activa durante o dia, andar longas distâncias, mover-me com rapidez ao realizar certas actividades, fazer qualquer tipo de esforço físico. Tentem pôr-se no meu lugar. Não procuro uma desculpa para ficar quieta ou uma razão que justifique todas as vezes em que pura e simplesmente não me apetecer fazer algo. Como já vos disse anteriormente eu dava tudo para poder ter a força necessária para ser um ser humano normal.

Sim, normal. Com isto tudo eu não me consigo sentir minimamente normal. Quando estou em casa e quero fazer simples tarefas que em tempos eram facilímas e me vejo a falhar completamente ou a ter que descansar logo após as mesmas... sinto-me uma verdadeira anormal. Quando me convidam para sair e eu digo sim porque realmente quero aproveitar a maravilhosa década dos 20 mas depois quando chega a altura e eu me vejo sem forças ou cheia de dores... Aí também me sinto anormal.

Sinto-me anormal quando me dizem para ser mais rápida e eu não consigo, quando acham que sou um tanto retardada ou maluca por não perceber algo tão simples (nevoeiro mental, sabem), quando tento e não consigo. Quando me levanto de manhã, quando me deito à noite, quando saio à rua, quando trabalho, quando me olho no espelho. Nunca mais me senti normal. Talvez seja por isso que aceito sem questionar o rótulo de preguiçosa. Mais vale ser preguiçosa e normal do que incapaz e anormal.

Flash, a preguiça. Só existem duas diferenças entre mim e o Flash. Enquanto ele é espetacularmente rápido a conduzir o seu carro topo de gama, eu fico deitada a fazer todo o tipo de coisas que costumo fazer. Ou seja, nada.

A segunda diferença? O Flash tem piada.

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