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Cronicamente Fabulosa

A descoberta do desconhecido na companhia da fibromialgia

Cronicamente Fabulosa

A descoberta do desconhecido na companhia da fibromialgia

A teoria das colheres

por AF, em 02.01.17

Já alguma vez se levantaram após um dia de exercício intenso no ginásio e sentiram tantas dores no corpo que nem se conseguiam mexer? Pois, para mim é assim que todos os dias começam.

É que ter uma doença crónica não é tão simples como parece. Primeiro porque é algo que não se cura com um frasco de comprimidos ou com umas injecções. Depois, porque todo o dia de uma pessoa se reflecte em decisões que nos deixem chegar à noite sem gastar todas as colheres. E o que é isto das colheres?

Na verdade é uma forma bastante boa de explicar àqueles com uma boa saúde como se sente um doente crónico. Nisto, não me refiro apenas a quem sofre de fibromialgia e assim até gostava de saber se concordam comigo ou não.

Li algures na internet a história de uma rapariga chamada Christine Miserandino com uma doença crónica. Isto passou-se em 2013 quando ela e uma amiga estavam num restaurante a comer quando a amiga lhe perguntou como era viver assim. Sem outra forma fácil de entender para explicar todo este complexo processo de dores e medicamentos e opiniões negativas, ela pegou em várias colheres que estavam perto, entregou-as à amiga e passou a explicar:

"Aqui tens, agora tens lúpus. Estas colheres representam a tua energia ao longo do dia. A cada actividade que tenhas que fazer precisas de tomar decisões. Tens 12 colheres que tens que utilizar cuidadosamente para não te faltar nenhuma antes do fim do dia.

Quando te levantas da cama, por exemplo, só o simples facto de te levantares e sentires todas as dores no teu corpo e a rigidez dos músculos já estás a gastar uma colher. Entre tomar banho, vestires-te e preparares-te para o teu dia a dia, estás a gastar mais duas. No tempo todo que levas a ficar preparada para saíres já gastaste um total de 6 colheres e ainda nem foste trabalhar.

É importante salientar que  uma pessoa doente vive sempre com o medo do amanhã e do que nos tratará, poderá ser uma constipação ou uma infecção ou inúmeras coisas que poderão ser muito perigosas para nós. Por isso tu nunca vais querer ficar sem colheres porque não saberás quando vais precisar mesmo delas.

O resto do dia passa-se com diferentes escolhas. Se saltares o almoço perdes uma colher, se ficares em pé nos transportes públicos perdes outra. Até escrever no computador durante muito tempo te pode custar uma colher.

Chegas ao fim do dia e precisas de comer mas já só tens uma colher. Se cozinhares não tens energia suficiente para lavar a louça. Se fores jantar fora, provavelmente estarás muito cansada para conduzir de volta para casa em segurança.

Nisto, ainda são sete da tarde. Poderemos talvez acrescentar uma última colher à explicação. Como ainda é cedo e tens o resto da noite podes fazer algo divertido, limpar o teu apartamento ou realizar tarefas. Mas não podes fazer tudo."

Isto é apenas um resumo da teoria embora já seja uma óptima explicação (espero eu) para aquilo que se passa todos os dias na vida de alguém com uma doença crónica. Eu sofro de fibromialgia, mas o próximo poderá ter lúpus ou outra doença qualquer e identificar-se com esta história.

A ideia da teoria da colher é mostrar às pessoas saudáveis que por mais que nós queiramos viver a vida como um ser humano normal e trabalhar, sair para nos divertirmos, fazer tarefas e tudo mais... as coisas simplesmente não funcionam assim. Não há energia para tudo. É claro que podemos sempre pedir colheres emprestadas ao dia seguinte mas valerá a pena perder uma que nos poderá fazer imensa falta amanhã?

E é assim que explico mais ou menos a fibromialgia. Através de uma teoria com colheres. Se a Christine Miserandino nunca tivesse inventado esta explicação, então talvez eu nunca conseguisse mostrar a alguém o quão difícil é ser eu.

Até lá continuarei dia após dia a ser eu própria e a tentar concretizar os meus sonhos porque afinal, eu sou cronicamente fabulosa.

 

 

Para quem quiser ler a teoria completa, consegui encontrar este artigo na internet.

 

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