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Cronicamente Fabulosa

A descoberta do desconhecido na companhia da fibromialgia

Cronicamente Fabulosa

A descoberta do desconhecido na companhia da fibromialgia

O amor e a fibromialgia

por AF, em 21.01.17

Conhecer pessoas novas com a intenção de namorar nunca foi fácil para mim. Não fiquem tão chocados, eu sei que sou demasiado fabulosa para os homens! Não. Na verdade eu sempre fui aquele tipo de pessoa que tem dificuldades em sair da casca. Sou introvertida e tenho uma enorme falta de coragem para tentar conhecer alguém por minha livre e espontânea vontade. Em suma, tenho medo da rejeição.

E o que é que isto tem a ver com a fibromialgia? Chegou-me agora o pensamento de como será explicar a alguém novo e por quem tenha uma possível atracção que eu, uma miúda de 22 anos, sofre de uma doença crónica? Assim muito rapidamente consigo lembrar-me de várias razões para não contar a ninguém o meu problema. Talvez me poderão chamar fraca, achar que isto é doença de velha, acharem um fardo terem de lidar com alguém assim, pensar que invento as dores por atenção. Nada disto é verdade mas acontece que existem pessoas que podem eventualmente pensar desta forma. Com a falta de conhecimento sobre a fibromialgia vem a ignorância em relação a lidar com a mesma tal como em tantas outras doenças. 

Tenho completa noção de que é algo que eu não tenho qualquer obrigação de contar porque não me define nem muda em forma alguma aquilo que sou. No entanto, se formos a ver as coisas noutra perspectiva imagino que terei de explicar o porquê de não aceitar fazer diversas actividades ditas normais como ir num encontro a um sítio qualquer. É um facto que nem sempre isto acontecem porém existirá sempre aquela saída que me fará andar muito ou exigirá demasiado de mim e cuja resposta será inevitavelmente não.

É aqui que me apercebo que talvez seja mais fácil ajustar-me a uma vida solitária do que andar por aí a procurar amor onde não haverá paciência. Se nem eu tenho, como terão os outros?!

Positivamente falando acredito que toda a gente tem o direito a sentir-se amado pelo menos uma vez na vida. Também acredito que existem pessoas que não se importam que alguém tenha a doença A, B ou C. Não deixam de ser seres humanos com sentimentos.

Falando por mim sei que consigo manter uma vida minimamente normal já que nem todos os dias dou por mim incapacitada pelas minhas dores e sinto-me feliz por isso. No entanto, sei igualmente que há tantas pessoas neste mundo que se vêem isoladas por não serem aceites da forma que são. Das doenças que têm, dos problemas que enfrentam.

Ao pensar nesta história toda de encontros e procura de amor vejo-me obrigada a apelar um pouco à consciência de todos aqueles que poderão ler as minhas palavras. Todas as pessoas, tenham elas que doença tiverem, enfrentem os desafios que enfrentarem... todas têm direito à felicidade. E se há algo que a fibromialgia me ensinou, é que toda a gente tem uma história diferente e isso significa que seja na próxima página ou no próximo capítulo, a felicidade tem o seu lugar. E se esta procura de amor não resultar com a pessoa que se acabou de conhecer, resultará mais tarde com outro alguém. Nós podemos não ter colheres suficientes mas quando chegar aquela pessoa que tem colheres suficientes pelos dois, então essa é para manter.

Até lá, mantenham-se fabulosos. Eu sei que vocês são.

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