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Cronicamente Fabulosa

A descoberta do desconhecido na companhia da fibromialgia

Cronicamente Fabulosa

A descoberta do desconhecido na companhia da fibromialgia

Flash, a preguiça.

por AF, em 20.04.17

Chamem-me Flash.

Não, não é por eu ser rápida como o super herói. Pensem no animal. Mais especificamente uma personagem de um filme vencedor de óscar e adorada por toda a gente. Exacto. Flash, a preguiça. Mais vale adoptar já esta alcunha uma vez que toda a gente gosta de me chamar preguiçosa e de fazer ocasionais referências à icónica personagem do Zootrópolis.

Confesso que nunca fui uma daquelas pessoas super activas que nunca consegue estar sentada sem fazer nada. Mesmo quando era criança e tinha uma grande quantidade de energia para brincar continuava a ter os meus momentos calmos para carregar as baterias.

Agora considerem o seguinte: as minhas baterias ficaram viciadas portanto hoje em dia preciso de parar muitas mais vezes para restabelecer as minhas energias e poder continuar a viver a minha vida normalmente. Não é que eu não queira correr ou fazer outro tipo de exercícios. São tantas as vezes em que a ideia de ir para o parque gastar energia e ser mais saudável me passa pela cabeça. De dançar ou de me envolver em algum tipo de aula que me pudesse ajudar. Yoga, pilates, natação, hidroginástica... O problema é que elas não passam disso, de ideias.

O simples facto de subir escadas ou andar uns quantos metros do autocarro até casa deixa-me não só cansada como dorida e incapaz de passar da ideia à acção. Por isso sim, podem chamar-me preguiçosa e dizer que eu só gosto de dormir e de estar deitada sem fazer nada. Mas ao dizerem que sou o suprassumo da preguiçosa tenham em consideração o difícil que é para mim, por exemplo: pegar em coisas pesadas, manter-me constantemente activa durante o dia, andar longas distâncias, mover-me com rapidez ao realizar certas actividades, fazer qualquer tipo de esforço físico. Tentem pôr-se no meu lugar. Não procuro uma desculpa para ficar quieta ou uma razão que justifique todas as vezes em que pura e simplesmente não me apetecer fazer algo. Como já vos disse anteriormente eu dava tudo para poder ter a força necessária para ser um ser humano normal.

Sim, normal. Com isto tudo eu não me consigo sentir minimamente normal. Quando estou em casa e quero fazer simples tarefas que em tempos eram facilímas e me vejo a falhar completamente ou a ter que descansar logo após as mesmas... sinto-me uma verdadeira anormal. Quando me convidam para sair e eu digo sim porque realmente quero aproveitar a maravilhosa década dos 20 mas depois quando chega a altura e eu me vejo sem forças ou cheia de dores... Aí também me sinto anormal.

Sinto-me anormal quando me dizem para ser mais rápida e eu não consigo, quando acham que sou um tanto retardada ou maluca por não perceber algo tão simples (nevoeiro mental, sabem), quando tento e não consigo. Quando me levanto de manhã, quando me deito à noite, quando saio à rua, quando trabalho, quando me olho no espelho. Nunca mais me senti normal. Talvez seja por isso que aceito sem questionar o rótulo de preguiçosa. Mais vale ser preguiçosa e normal do que incapaz e anormal.

Flash, a preguiça. Só existem duas diferenças entre mim e o Flash. Enquanto ele é espetacularmente rápido a conduzir o seu carro topo de gama, eu fico deitada a fazer todo o tipo de coisas que costumo fazer. Ou seja, nada.

A segunda diferença? O Flash tem piada.

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