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Cronicamente Fabulosa

A descoberta do desconhecido na companhia da fibromialgia

Cronicamente Fabulosa

A descoberta do desconhecido na companhia da fibromialgia

Eu sou (in)capaz!

por AF, em 10.01.17

Descobrir como viver com a fibromialgia foi como voltar a ser pequena e a ter de aprender a fazer as coisas com diferentes desafios e impedimentos. Tenho completa noção de que sou uma pseudo-adulta de 22 anos e que já devia ser inteiramente independente. Acontece que não é bem assim.

Uma coisa tão simples como tomar banho tornou-se um pesadelo para mim. Apesar de nem sempre acontecer são muitas as vezes em que preciso de ajuda. Lá tem a minha mãe que me lavar o cabelo como se faz às crianças e eu sinto-me envergonhada. Não me interpretem mal, não é pela minha mãe. A vergonha que sinto é um misto de "como é que cheguei a este ponto?" e "sou demasiado adulta para precisar da ajuda da mãe para tomar banho". O problema é que se não for assim não consigo fazer nada.

Como disse, não é todas as vezes que tenho tanta dificuldade. A questão aqui, é que mesmo num dia bom tenho que continuar a contar as colheres que preciso de gastar e decidir se preciso mesmo ou não de fazer aquilo. É claro que é indispensável tomar banho, contudo o simples pensamento do trabalho todo que vou ter e de como me vai custar já me deixa cansada.

Nos meus momentos de crise piores, que felizmente agora não são tão comuns, preciso de ajuda para me despir, tirar os sapatos, vestir o pijama e enfiar-me na cama. Exactamente como uma criança de três anos. Só que eu tenho a noção de que em tempos já consegui fazer determinadas acções e mais uma vez sinto-me triste.

Acções como cortar a comida na hora das refeições, escrever num caderno, apertar os botões de um casaco... tudo isso fica comprometido por causa de uma doença que é invisível. E eu confesso que muitas vezes me sinto irritada comigo própria e perco a esperança e vontade de fazer mais alguma coisa.

Nisto devo agradecer à minha querida mãe por nunca desistir de mim e continuar a dar-me forças e a ajudar-me sempre que eu não consigo. Acho que se ela não estivesse lá para mim, eu própria já tinha desistido e ficado na cama de vez há muito tempo atrás sem sequer tentar.

Mas nem tudo é mau. Precisamos de aprender a lidar com a nossa vida tal e qual como ela é sem estarmos sempre a resmungar de que não merecemos isto. A vida é justa mas também injusta. De qualquer das formas, tudo acontece por uma razão. Se hoje estou aqui a escrever-vos isto (com bastante dificuldade de mexer os dedos, devo dizer) é por uma razão muito especial.

É porque tal como eu, milhares de pessoas no mundo inteiro passam por estas dificuldades e sentem-se incapazes. Deixam de duvidar deles mesmos e quando isso acontece, toda a confiança desaparece como que por magia. Eu quero tentar reavivar essa confiança e desejo de viver. Quero mostrar que nós não só somos capazes como temos um mérito ainda maior. Não me levem a mal, mas experimentem sentir dores no corpo todo que vos dá vontade de desmaiar e ainda irem trabalhar, arrumar a casa, conduzir, tratar dos vossos filhos, entre outras coisas.

Se isso não é espectacular, então não sei mesmo o que é.

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