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Cronicamente Fabulosa

A descoberta do desconhecido na companhia da fibromialgia

Cronicamente Fabulosa

A descoberta do desconhecido na companhia da fibromialgia

Cronicamente Fabulosa

por AF, em 01.01.17

É o início de 2017 e de um novo capítulo na minha vida.

Não, antes que pensem que vou falar da mesma lenga-lenga do "ano novo, vida nova" dêem-me uns breves momentos para me explicar.

Podem chamar-me Filipa, tenho os meus poucos 22 anos e sofro de fibromialgia. A razão pela qual criei este blog não foi de todo para me lamuriar sobre as tristezas da minha vida doente e pedir pena. Eu não quero pena, nem preciso dela. Quero apenas fazem um retrato daquilo que pessoas como eu passam todos os dias nas suas vidas sem que ninguém as entenda. E quando digo ninguém refiro-me também aos médicos.

Fui diagnosticada com esta doença crónica no ano passado. É claro que já tinha ideia de que esse seria o resultado final desde de 2015 quando ainda me diziam que as dores horríveis que eu tinha no corpo todo eram resultado de uma somatização e de uma intensa falta de vontade de trabalhar. Se querem que vos seja sincera, achei a última particularmente hilariante.

Provavelmente gostariam que vos explicasse o que é exactamente a fibromialgia. Até o faria, mas quando me disseram o nome da doença e referiram que ela estava em mim nunca nos apresentaram verdadeiramente. "Filipa, esta é a fibromialgia. Fibromialgia, esta é a filipa. A partir de hoje estarão juntas até que a morte vos separe". É engraçado como imagino este discurso feito num casamento entre mim e a minha doença. Afinal acabei por casar mais cedo do que aquilo que tinha idealizado.

Dito isto, apercebi-me que faço parte de uma minoria acusada de ser demasiado dramática, de inventar dores que não estão lá, de ser preguiçosa e não querer trabalhar. Uma minoria posta de lado porque o problema não é real. Li algures que no mundo inteiro 2% a 5% da população sofre de fibromialgia. O que é isso num planeta com 7 biliões de pessoas? É mais do que normal que se desconheça o que isto nos faz e como tratar. Mas o lema da maioria dos médicos é "o que não se vê, não se pode tratar". Ora, se todos pensassemos de tal forma não respirávamos porque não vemos o ar. Faço sentido? Não, nem todo o percurso que tive que fazer para chegar aqui fez.

Não me interpretem mal. Mais uma vez digo que não venho aqui à procura de pena. Vou contar a minha história e esperar que exista mais alguém por aí que se identifique e se sinta menos só. Isto não é um bicho de sete cabeças, no entanto também não é algo tão pequeno como fazer um corte superficial no dedo. Ela está lá, ela existe e ela destrói.

Entretanto vou vivendo a minha vida cronicamente fabulosa da melhor forma enquanto escrevo pequenos desabafos aqui. Já que eu sofro de fibromialgia, mas a minha vida ainda não acabou.

Feliz 2017 e que a luta continue.

 

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