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Cronicamente Fabulosa

A descoberta do desconhecido na companhia da fibromialgia

Cronicamente Fabulosa

A descoberta do desconhecido na companhia da fibromialgia

Esperança, onde estás tu?

por AF, em 21.05.17

Estou cansada de viver neste corpo. Estou cansada das dores e das imensas horas de sono que nunca me repõem as energias. Cansada de ser "preguiçosa" e de "não ter força de vontade" para conseguir fazer alguma coisa da minha vida. Estou simplesmente cansada.

Já falei com várias pessoas que têm esta doença e hoje se sentem bem e conseguem viver em harmonia com a fibromialgia. Dizem que no início é pior e que se eu comer isto ou fizer aquilo vou melhorar.

Não me culpem por não acreditar mas deixei de ter esperança depois de tantos médicos, tantas injecções, tantos exames, tantos medicamentos. Chega.

As pessoas só querem ouvir as histórias inspiradoras de como alguem pegou no "limão mais amargo e tornou-o em algo parecido com limonada" (sim, é uma referência ao this is us). Não querem saber de quem vê o seu mundo desabar debaixo dos seus pés e de repente se encontra sem saber para onde ir ou o que fazer para o reconstruir.

Eu tenho lido muito sobre doenças crónicas no geral e deixem-me dizer-vos que 80% ou mais dos doentes crónicos se sentem presos num poço bem fundo sem ideias de como sair. Nem tudo o que funciona para um é igual para o outro, pensem nisso.

Não, eu não vou começar a correr não sei quanto tempo por dia só porque o exercício faz bem ao corpo. Sabem quando é que eu corro? Quando vejo o autocarro a chegar e sei que se não o apanhar vou ter que esperar imenso tempo pelo outro e possivelmente chegar atrasada. E mesmo aí, depois de dar um Sprint quase tão rápido como o Ussain Bolt (só que não) me sinto a morrer. Os músculos ressentem-se, os pulmões parece que nunca fizeram um esforço na vida e começo a soar como se tivesse acabado de correr a maratona em cima da ponte. Sinto-me tão quente, tão sufocada. Eu antes não era assim.

Pode parecer-vos que só me queixo da vida e não faço nada para a mudar. Bom, é verdade que passo a vida a reclamar mas se pensam que não me esforço todos os dias para lutar contra isto então estão redondamente enganados.

Sinto-me presa dentro do meu próprio corpo. Quando estou deitada passo vários minutos a olhar para o tecto e a tentar perceber como é que eu cheguei a este ponto. Como é que os meus sonhos morreram comigo tão nova. Como é que as minhas ideais de felicidade foram alteradas e me tornei um fantasma daquilo que em tempos fui?

Uma miúda que se sentia bem, que não tinha dores e podia fazer tudo aquilo que quisesse desde que se esforçasse o suficiente. Mas consigo lembrar-me de que nunca dei valor ao que tinha.

Hoje ainda se podem virar para mim e dizer-me que nada está perdido, que eu sou ainda muito nova e posso dar a volta à minha doença e vencer. Ser alguém, ser saudável e ultrapassar a dor. Ainda posso cumprir os meus objectivos, tornar os sonhos realidade. É tão fácil falar... e honestamente eu gostava de acreditar.

Entretanto vou vivendo os meus dias a fingir que tudo está bem. Vou trabalhar quando tiver que trabalhar, descansar sempre que puder e procrastinar na maioria das vezes como a verdadeira Filipa que sou.

E no meio disto tudo os demónios vão tentando derrubar-me de todas as formas que puderem. E eu vou tentar. Não, eu vou conseguir vencer.

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