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Cronicamente Fabulosa

A descoberta do desconhecido na companhia da fibromialgia

Cronicamente Fabulosa

A descoberta do desconhecido na companhia da fibromialgia

"Está tudo na tua cabeça"

por AF, em 15.03.17

Uma das grandes razões que me levaram a criar este blog é o facto de que tanto a fibromialgia como outras doenças crónicas englobarem um vasto ramo de distúrbios mentais.

Sei que ao falar deles não vou ser só compreendida por doentes crónicos mas também por pessoas que enfrentam todos os dias os desafios impostos por certos monstros que atacam as suas mentes. É aqui que me sinto obrigada a sublinhar que lá porque as doenças, síndromes, distúrbios ou condições existentes são invisíveis não significa que estas pessoas não sofram com eles. É preciso colocar de parte todos os preconceitos e ideias pré-concebidas de que ter uma depressão (por exemplo) é "modinha" ou apenas uma chamada de atenção e começar a entender verdadeiramente que o cérebro é um órgão como qualquer outro no nosso corpo e também fica doente.

Prosseguindo, deixem-me então dizer-vos que ter fibromialgia também têm o seu quê de distúrbio mental e daí seja extremamente controverso aceitá-la ou entendê-la como uma verdadeira doença física. Por exemplo, um dos grandes factores que contribuem para o agravamento das minhas dores é o meu estado psíquico. Se eu estiver mais stressada, triste ou até irritada posso ter a certeza de que o meu corpo se vai começar a queixar. Por outro lado, um estado de espírito mais zen e despreocupado leva-me a sentir que posso fazer tudo o que me apetecer. Mas não se deixem enganar; lá porque o meu humor tem influência na quantidade de dores que sinto, isto não quer dizer minimamente que a fibromialgia só está "na minha cabeça" e que é uma invenção minha. Muitas são as vezes em que estou bastante bem humorada e optimista e continuo a sentir-me fisicamente derrotada.

É aqui que é preciso quebrar o estigma de que pensamentos positivos resolvem qualquer coisa. Isto não é verdade. O que é um facto é que uma atitude positiva em relação às situações que enfrentamos no dia a dia nos vai ajudar a motivar para que não desistamos de lutar mas é só isso: ajudar. Não vai resolver os nossos problemas como que por magia apenas porque nós decidimos ser positivos. Não é assim que o corpo humano funciona.

Não me interpretem mal, eu não sou psicóloga nem nada do género mas acho que tenho experiência suficiente neste campo para saber uma coisa ou outra do que resulta e do que é mito.

Mais uma vez apetece-me pegar naquela tão adorada (pois, claro) frase que ouço imensas vezes: está tudo na tua cabeça.

Vamos supor o seguinte: se eu atropelar alguém e essa pessoa ficar no chão a contorcer-se de dores mas não aparentar qualquer dano físico à primeira vista também lhe deverei dizer que está tudo na cabeça dela? Não, certo?! Então porque raio é que tem que ser assim comigo?

O ar que respiramos também não é visível e isso não significa que ele não exista. Por isso, vamos tentar pôr de lado esta ignorância imposta pela sociedade e perceber que nem tudo o que é invisível é um acto de imaginação. Aposto que se o Dr. House fosse real concordaria comigo nesta parte.

A ansiedade, depressão, paranóia, bipolaridade, distúrbio obsessivo-compulsivo, mania, etc (desculpem não me lembro de todos assim de repente) também não são invisíveis . É o cérebro que está doente e desregulado e precisa de ajuda.

Afinal, qual é a piada de se fingir uma doença quando podemos aproveitar melhor a vida sendo saudáveis?

Não sei como é convosco mas aqui entre nós eu adorava ter a minha vida de volta. Mas esse é daqueles desejos que só está na minha cabeça e é algo que eu gostava de poder mudar.

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