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Cronicamente Fabulosa

Tenho fibromialgia, mas também sou fabulosa e esta é a grande aventura que é a minha vida.

Cronicamente Fabulosa

Tenho fibromialgia, mas também sou fabulosa e esta é a grande aventura que é a minha vida.

Adeus.

por AF, em 19.01.20

Hoje é o último post que escrevo neste blog.

Não sinto que faça qualquer sentido continuar a escrever porque não consigo ser regular, não tenho tempo nem cabeça para escrever e também porque acho que ninguém lê o que ponho aqui. Não tem mal, na realidade até nem tem muito interesse contar uma história que é igual a tantas outras.

Sinto-me triste. Não porque o abandono mas porque esperei muito mais da minha vida e continuo a lutar todos os dias por mais mas existe algo em mim, uma força maior, que continua a mandar-me para baixo e a obrigar-me a ser menos produtiva do que aquilo que eu gostava.

Hoje estou a estudar, a tirar um curso para poder trabalhar no futuro e estou a esforçar-me muito para sair-me bem, para não desistir e chegar a algum lugar. Mas ao fazer isso fico sem vontade ou energia para fazer coisas que eu gostaria tanto como explorar as minhas capacidades artísticas ou algo que as pessoas achem infantil porque o que realmente importa depois dos 18 anos é sermos adultos.

Não gosto de ser adulta, vou já confessar isto. Não gosto da obrigatoriedade de crescer e de ser responsável como a sociedade quer. É que eu nem posso decidir que tipo de vida posso ter, sou só um número como todos os outros que caminham neste mundo.

Também não gosto de acordar todos os dias com imensas ideias para fazer coisas e não realizar nenhuma porque estou demasiado esgotada. Já nem ler como lia consigo. Não consigo fazer nada das coisas que realmente me definiam, hoje em dia sou um zombie que fica mais de oito horas por dia com os olhos espetados num ecrã com o cérebro todo frito.

Mas mais uma vez não me queiram interpretar mal, não peço que entendam ou que mostrem pena porque isto é só um último desabafo. Guardo o meu blog comigo tal como guardo tudo o que sempre fiz e desisti. É uma pena, mas apenas não era para ser.

Não sei o que estou aqui a fazer, não sei qual é o meu propósito, em que é que é suposto eu ser boa. Não sei para quem é que estou destinada porque hoje em dia só consigo estar na minha bolha sem conhecer ninguém por isso é mais do que normal que fique um eremita para sempre.

E não tem mal.

Suponho que tenho que começar a conformar-me com isso.

E é isso, obrigado a quem leu e que a vida vos sorria.

Precalços.

por AF, em 08.12.19

Achei que depois de tudo o que tinha passado já não havia volta atrás e eu estava verdadeiramente diferente. Mas estava completamente enganada.

Celebrei demasiado cedo, é o que me parece. Aprendi tudo na teoria como uma boa menina e depois na altura de pôr em prática espalhei-me ao comprido e nem sei como. E só tenho a mim própria a quem culpar.

Parece que voltei outra vez ao início e que não sei nada, não entendo nada.  Sinto-me perdida.

Mudei a minha vida. Voltei ao activo, estou a lutar por mim e pelo meu futuro mas sinto-me exausta e sinto que não sou capaz. Todos os dias acordo a pensar que vou desistir e depois páro um momento para pensar e decido que vou viver um dia de cada vez.

Tenho errado muito. Todos os dias encontro uma nova maneira de errar e sempre que me empenho em resolver os meus erros e a arranjar formas de melhorar dou por mim a errar novamente e a falhar como sempre falhei. Vocês sabem o meu percurso, vocês entendem que me esforço e que não tenho desistido em melhorar mas quem me conhece só agora e me vê a errar pensa que eu sou apenas uma pessoa imatura, mimada e que quer tudo à sua maneira.

Não culpo ninguém por pensas assim. Há coisas em mim que são irritantes. Coisas que eu faço sem me aperceber que podem fazer qualquer um revirar os olhos. "Lá está ela outra vez". E isso é completamente justificado. Eu não só não me importo como dou razão a quem o fizer porque eu sei que ainda existe tanto para mudar.

Tenho que crescer como pessoa. Tenho que perceber que eu daqui não vou sair e que para ser feliz só posso mudar. Mas há tantas coisas... existe tanto a fazer que eu sinto-me cansada. E pergunto-me muitas vezes se valerá a pena.

Não me quero fazer de vítima para ninguém porque eu só estou na situação em que estou por minha causa. Tenho duas doenças que me acompanham mas não me podem vencer porque eu tenho que lutar contra as duas e agir como uma pessoa normal. Eu gostava tanto de ser uma pessoa normal, sabem?

Daquelas que não fica triste sem razão, que não faz fitas porque não consegue controlar as suas emoções e que não tem filtro nenhum naquilo que diz. Preciso de mudar, é isso.

Mas como?

Não é tão fácil assim mudar e tornar-me uma pessoa completamente diferente quando passei 25 anos da minha vida de uma determinada forma. Já percorri um longo caminho desde que comecei esta viagem toda e sei que progredi consideravelmente mas isto não é o suficiente.

Quero que saibam que, apesar de toda esta tristeza que me faz escrever isto, é importante lutar e esforçarem-se para melhorarem as vossas vidas e saírem de quaisquer buracos em que caiam.

A tristeza faz parte da vida. A dúvida acompanha-nos sempre. É normal eu sentir-me assim mas também é importante que eu neste momento perceba exactamente porque estou assim. É isso que me fará sair do fundo do poço que não é dos mais fundos onde estive.

A vida é uma coisa muito interessante. Vamos sempre pensar se valerá ou não a pena lutar tanto e provavelmente nunca vamos saber mas se não tentarmos é que não chegaremos mesmo a lado nenhum.

Vêem: progressos.

Há um ano atrás.

por AF, em 18.10.19

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Há um ano atrás a minha vida era diferente.

Eu estava a trabalhar num emprego que não me fazia feliz onde a cada dia que passava sentia a energia e vontade de dar o meu melhor abandonarem-me juntamente com a minha dignidade. Há pessoas que talvez não concordem mas há um ano atrás eu estava a pôr o meu trabalho à frente de tudo o resto na minha vida.

Há um ano atrás estava cansada de pessoas. Não conseguia lidar com quem me faltasse ao respeito. Respondia e irritava-me porque estava farta de ser pisada. Estava revoltada. Fosse com clientes ou colegas eu sentia que não havia ninguém que me entendesse ali. Ou em qualquer outro lado com quaisquer outras pessoas. Há um ano atrás eu sentia-me sozinha.

Há um ano atrás eu estava magoada. Não sabia porquê mas estava frágil. Sentia-me a cair num abismo onde eu não conseguia ver o fundo e sem paraquedas às costas. Chorava e sentia um enorme sufoco a tomar conta de mim, a tirar todo o ar do meu peito e a vida de todo o meu corpo.

Há um ano atrás eu tinha dores. Hoje também tenho mas há um ano atrás eu não aceitava que pudesse ser tão nova e sofrer assim. Continuo sem aceitar totalmente mas estou mais compreensiva. Naquela altura não aguentava viver, só existir. O meu corpo estava sempre a lutar contra mim. Eu andava completamente esgotada e tão cansada de ter dores tão fortes que só me apetecia desaparecer.

Há quase um ano atrás eu tentei desaparecer.

Não vale a pena esconder. Não vale a pena pôr-me com rodeios porque faz parte da minha vida e faz parte de quem sou hoje. Se há um ano atrás não tivesse feito o que fiz, certamente não estava onde estou hoje. Há um ano atrás tentei-me suicidar.

E depois encontrei a luz.

Um hospital, um serviço, um grupo.

Há dez meses atrás eu entrei para uma família. Uma família que só existia ali, onde eu podia ser o mais verdadeira possível e falar de tudo sem medos. Onde descobri tanto sobre mim e sobre o mundo, tanto sobre a vida. Um lugar onde me encontrei, onde percebi o que eu gostava e que não gostava. Onde pus em marcha a minha própria revolução contra quem eu queria pelas razões que eu queria e ser perdoada por levar as coisas para extremos. Foi onde eu aprendi a acabar de tricotar um cachecol, a fazer uma caixa em dobragem de papel, a costurar, a fazer coisas deliciosas e acima de tudo a perdoar. A perdoar-me a mim própria, a perdoar o mundo e a perdoar o passado.

Há um ano atrás eu sentia-me perdida. Hoje sinto que me encontrei.

Hoje tive alta. Despedi-me das pessoas, percebi que já não faço parte daquela família e que posso dizer adeus mas não faz mal porque há coisas e pessoas que não são o destino, são apenas a viagem.

E apesar de saber que tenho um longo caminho pela frente e tanta coisa ainda para resolver dentro da minha cabeça - um novelo tão grande e emaranhado que eu própria não sei todos os problemas - que posso demorar uma vida inteira a chegar lá; eu sei que vale a pena.

Eu sei que eu estou aqui e que posso vencer. Posso ser eu própria porque eu tenho valor. Posso fazer as coisas que gosto e aprender novas coisas que também gosto. Posso dizer que não e posso ser assertiva sem ter que ser agressiva. Posso compreender que existe bom no mau e mau no bom. Posso aceitar que nem sempre a vida vai ser justa e que me vou magoar muitas vezes mas que é bom chorar e libertar os sentimentos para não os acumular e torná-los piores. Posso ser alguém. Posso ser feliz.

Não quer dizer que faça todas estas coisas ou que de repente esteja completamente curada e uma pessoa totalmente nova mas há um ano atrás eu não era assim.

Há um ano atrás eu não sabia quem sou e hoje sei que sou a Filipa.

E para mim isso basta.

Preconceitos.

por AF, em 02.10.19

Pela primeira vez na minha vida fui alvo de preconceito. Sempre tive sorte em não ser discriminada, sou uma mulher branca heterossexual num país relativamente desenvolvido. Acho que me safo bastante bem no que toca a preconceitos por isso não estava de todo à espera do que me aconteceu hoje.

Todos os dias utilizamos os transportes públicos para chegar onde precisamos. Eu apanho todos os dias o comboio para o mesmo destino da mesma forma que milhares de pessoas o fazem. Entro, vou para o sítio mais livre de pessoas (claustrofobia é lixada) e sento-me num lugar vago ou fico em pé à espera que alguém saia nas próximas estações. Acho que a maioria das pessoas faz isso, não é nada de especial.

Hoje ia em pé, entretida a jogar pokémon go, quando uma senhora se levantou para sair. Eu aproveitei e sentei-me porque vocês estão fartos de saber o que passo todos os dias com o meu corpo. Acordo cansada, deito-me cansada, tenho dores, o corpo pesa, etc. É normal, eu tenho fibromialgia. 

Sentei-me num lugar que não era prioritário. Sentei-me porque apanhei a oportunidade, porque queria e acima de tudo porque precisava. Só que isso não importa para nada, não é?

Como eu pareço uma pessoa perfeitamente saudável tive logo que ouvir uma troca de comentários desagradáveis de duas mulheres com idade para terem juízo. "Sinceramente", "isto realmente", algo do género as pessoas não têm a noção.

Eu respondi, com educação e a voz baixa que lá por ser nova não significa que não precise do lugar apesar de não me terem sequer deixado acabar a frase. Fui atacada como se tivesse acabado de cometer um crime atroz, mandaram-me calar, humilharam-me e mandaram-me voltar para o meu jogo como se eu fosse uma criança.

Tentei explicar à senhora, que directamente queria o lugar só porque é mais velha (apesar de também parecer saudável) que eu tinha fibromialgia e nem sei o que ia dizer mais porque a bruxa virou a cara como se eu fosse lixo e mais uma vez a outra mulher que tem mais ou menos a minha idade atacou-me. 

Eu não dei o lugar porque preciso dele. As pessoas não sabem mas eu sei. Eu tenho a doença, eu lido com ela todos os dias. Eu esforço-me 24 horas por dia para ter uma vida normal e fingir que não me dói da ponta do cabelo à ponta dos dedos dos pés.

Ninguém me defendeu porque a humanidade já se perdeu completamente. Eu era a má da fita. Num comboio cheio em hora de ponta ninguém se levantou para dar o lugar a uma pobre senhora que nem sequer pediu e eu fui a má da fita. 

Já agora, um facto interessante sobre a lei: os maiores de 65 anos só têm prioridade aos lugares se demonstrarem incapacidades físicas e/ou mentais. Isto parece irónico porque eu não apresento sinais físicos de doença mas isto é só para saberem a lei. 

Eu não cheguei e exigi um lugar. Apenas fui mais rápida, estava no meu direito. Vocês que conhecem um bocado sobre mim sabem que eu tenho sentido de solidariedade. Gosto de ajudar as pessoas. 

Hoje fizeram-me sentir pequenina, pequenina, pequenina. 

Escusado será dizer que fui a viagem toda a chorar e a soluçar em silêncio sem me conseguir controlar. Tive meia hora a chorar sem parar porque na minha cabeça não me fazia sentido ser injustiçada daquela forma quando as pessoas nem sabiam o que estavam a dizer.

Eventualmente acalmei-me (com ajuda da mamã; sou uma mimada) e preocupei-me com as aulas. O dia passou e eu já não choro mais mas é um sentimento de revolta enorme que guardo dentro de mim ao saber que para o resto da minha vida as pessoas vão olhar e achar que sou saudável quando por dentro estou a batalhar tanto para não cair.

Estou cada vez mais desiludida com o ser humano. Quanto mais conheço dele, mais gosto do meu cão.

Mas não liguem, esta gente nova é que é mal educada. 

Primeiros Dias.

por AF, em 30.09.19

 

Há sempre uma primeira vez para tudo.

É um facto que estamos fartos de ouvir. Já é até uma frase feita, um cliché que evitamos dizer mas que acabamos sempre por deixar escapar por entre os nossos lábios. Há a primeira gargalhada, a primeira palavra, os primeiros passos, o primeiro dente. Existe o primeiro dia de escola, a primeira queda de bicicleta, a primeira negativa ou o primeiro excelente no teste. A primeira paixão, o primeiro desgosto, a dita primeira vez. O primeiro trabalho, o primeiro salário.

Se continuasse a dizer todas as vezes em que temos uma primeira vez nunca mais saía daqui. A vida é feita de "primeiras vezes" e quanto mais arriscarmos nela, mais primeiras vezes temos.

Dito isto, hoje foi o meu primeiro dia no curso que vai mudar a minha vida.

Digo mudar a minha vida porque esta etapa representa o meu regresso ao activo. Significa que estou a tirar as rodinhas da bicicleta, a pôr os pés fora do hospital e a tentar seguir com a minha vida.

Não vos posso garantir desde já que vou ultrapassar tudo como uma campeã olímpica e muito menos vos posso prometer que a partir de agora sou a pessoa mais feliz do mundo porque nada disso vai acontecer. Mas (e foquem-se no mas) eu vou esforçar-me para nunca desistir e lutar com todas as minhas forças para alcançar os meus objectivos e lutar contra os obstáculos.

É claro que para isto tenho que fugir ao registo de definir objectivos impossíveis de atingir e ser um bocado mais realista mas isso são outros quinhentos.

Para já tive o meu primeiro dia de regresso à escola. Já não me sentia assim há pelo menos sete anos, pareço uma adolescente outra vez. O que é bom porque sinto a parte boa de ser adolescente, pelo menos a parte que eu mais gostava que era estudar. O que posso dizer, sou uma marrona por natureza.

Já percebi que tenho alguns desafios pela frente como o facto de ser envergonhada e de ter um certo medo de falar com as pessoas. Quero dar-me bem com toda a gente e acredito que eles até gostem de me aturar depois de me conhecerem embora, para já, não vou dar muita importância a isso.

Outro desafio é o cansaço. Espero que ao habituar-me a uma nova rotina ele vá desaparecendo e o meu corpo decida aceitar que quem manda aqui sou eu! Caso contrário vou apresentar imensas reclamações por escrito - como faço aqui desde o início do blog - e vou continuar a ser ignorada por ele porque é assim que funciona esta relação de amor-ódio.

Mas eu não desespero porque amanhã é outro dia que vou ter de encarar com a cabeça erguida e hoje é tempo de descansar. Se me deitar às nove da noite não estranhem, já sabem que nasci no corpo de uma senhora de noventa e cinco anos.

Oh, que tragédia!

 

 

P.S: Quem me dera que o corpo da senhora de noventa e cinco anos fosse daquelas que tomam o cogumelo do tempo e andam a correr e a saltar por todos os lados a pedir ao Tony Carreira para lhes fazer um filho. Só que não.

Comer ou não comer? Eis a questão...!

por AF, em 01.09.19

 

Deixem-me admitir uma coisa.

Estou oficialmente com o maior peso que alguma vez estive na minha vida e de quem é a culpa? Minha, como é óbvio!

Nos últimos dois ou três meses desisti de quaisquer dietas e deixei as minhas emoções controlarem a minha vontade de comer. Acontece que as minhas emoções não são nada simpáticas para mim e não anseiam coisas saudáveis como uma saladinha ou beber muita água. Não, elas querem é bolos, chocolates, pudins, nuggets, pizza, um "ganda" hamburguer do McDonald's, um pacote inteiro de Oreos mergulhadas no leite.

Nada disto me faz sentir bem ou estar efectivamente. Na verdade, assim que acabo de comer sinto-me mal porque estou mal disposta e porque sinto que falhei comigo própria. Sinto-me mais deprimida e que não consigo ser responsável e dizer que não àquilo que não quero.

Aquele conforto que queremos ter quando comemos coisas destas é momentâneo e acontece única e exclusivamente enquanto as nossas papilas gostativas estão a sentir todo o açúcar ou gordura que os alimentos tenham.

Estou absolutamente convencida (porque é um facto) de que a comida é um vício tão forte quanto qualquer outro vício como drogas ou álcool. A partir do momento em que começamos a abusar não conseguimos largar por mais vontade que tenhamos.

Temos que ser radicais. Pôr um ponto final e dizer "não! eu não vou comer este delicioso bolo de bolacha que está aqui à minha espera e que vai ficar estragado se eu não lhe der caminho". E até parece uma coisa muito simples de fazer mas logo a seguir vem a Filipa número dois da minha consciência (ou o diabinho no ombro como gosto de chamar) dizer "nada disso, vamos comer e saborear este pequeno pedacinho de céu porque é tudo o que precisamos na nossa vida para sermos felizes" e o que é que acham que eu faço? Como o bolo de bolacha!

Todos os dias acordo convencida que naquele dia não vou comer nada que me faça mal. Tenho um pacote de flocos de aveia no armário e outro de leite de arroz no frigorífico. É só juntar e pôr no microondas. Eu até gosto daquilo, então porque raio é que na altura de comer me desvio para os pacotes de bolacha?

Cada vez mais pareço o monstro das bolachas. Doida por biscoitos, gorda como tudo e olhem só hoje até estou a usar uma camisola azul!

Preciso de regras alimentares na minha vida. Regras alimentares que eu siga e que respeite. Preciso de meter na cabeça que se não emagreço não vou a lado nenhum na minha vida. As dores vão piorar, vou sentir-me cada vez mais horrorosa e vou conseguir fazer menos coisas porque o peso dificulta imenso a quantidade de actividade física que eu consigo fazer e eu não quero nada disto. Tenho 25 anos bolas! Ainda vejo desenhos animados com uma tacinha de cereais na mão, preciso de resolver a situação antes de me ver velha, desgastada e sem motivação.

Amanhã é segunda-feira. Pode ser que exista um milagre qualquer na minha vida que me faça ganhar juízo. Se não fizer.... esperem encontrar-me a chorar compulsivamente porque não posso comer o frasco de nutella inteiro.

Socorro!

Expectativas.

por AF, em 30.08.19

Está quase a fazer uma semana desde que entrei nos vinte e cinco anos. Um quarto de século como tenho dito a toda a gente; portanto só posso concluir que estou a ficar velha!

A partir de agora estima-se que será sempre a descer portanto não posso criar muitas expectativas. Isso é uma coisa que tenho vindo a tentar não fazer de todo: criar expectativas, porque aquilo que eu não espero que aconteça não me vai magoar se efectivamente der para o torto. A verdade é que não é fácil ser uma pessoa calma e livre de ter macaquinhos na cabeça em relação a literalmente qualquer coisa que me apareça à frente.

Vou comer pizza? Vou ficar o tempo todo a imaginar o sabor da melhor pizza do mundo até comer e se calhar não me saber tão bem. Vou começar uma dieta? Epá, vai correr tão bem que vou ficar uma modelo em tempo recorde! Gosto de uma pessoa? Quando dou por mim só não me imagino a casar com ela porque não consigo imaginá-lo com ninguém mas vocês percebem a ideia certo? 

Esta coisa de tentar não criar expectativas tem-me dado uns pontapés por baixo da mesa na medida em que eu para não ter as boas expectativas no céu começo a deecê-las tanto que vou parar à subcave.

Quando penso que completei metade da metade de um século que todos sabemos que são cem anos, vejo-me completamente perdida e ansiosa em relação a tudo o que eu não fiz.

Recrimino-me por nunca ter sido uma pessoa normal e por não ter seguido os caminhos normais que as pessoas da minha idade seguiram. Não fui para a faculdade, nunca fui sair à noite a uma discoteca, não realizei um sonho de vida, não senti que fazia parte de um grupo de amigos fixo e unido, não conquistei o corpo que desejava, não escrevi o livro que eu queria, não namorei de forma normal, não pratiquei exercício como devia, não encontrei a carreira certa para mim, não me integrem nos empregos que arranjei. Nunca senti que fazia falta.

São coisas que uma pessoa pára para pensar é inevitável que se sinta em baixo. Tenho feito um grande esforço para mudar e para deixar estas ideias deprimentes de parte mas não é de todo fácil fugir à minha natureza.

Ultimamente tenho pensado muito no facto do Harrison Ford só ter começado a sua carreira de actor aos 40 anos e tento agarrar-me à pouca esperança que sai desse pensamento. Se calhar ainda não é o meu momento e quando for até vou sentir fogo de artifício no meu coração mas e se esse tempo não chegar?

Tenho medo de não corresponder às expectativas que os outros têm em mim e de dar por mim com meio século sem ter feito nada do que devia. Gostava de pensar que as coisas vão ser bem mais fáceis mas tenho os meus óculos da negatividade colocados e não consigo tirá-los por enquanto.

Assim o que me resta fazer é esperar. 

Passinhos de bebé.

por AF, em 29.07.19

Nos últimos meses acho que fiz jus ao "ano novo, vida nova" que não prometi a mim própria este ano. Não prometi porque honestamente não tinha a mínima esperança de que a minha vida fosse mudar ou melhorar ou qualquer coisa do género. Na verdade esperava exactamente o contrário e nesse caso o cenário era bastante mais trágico.

Mas aqui estou eu, quase oito meses depois do início de 2019 e embora não esteja completamente mudada nem tenha ultrapassado todos os meus problemas, já posso dizer que estou diferente. 

A maioria das diferenças não se vê e continuo a cair todos os dias em erros que tenho noção que devo mudar mas ao mesmo tempo eu já consigo identificá-los e saber porque é que não os devo cometer. Como já disse várias vezes isto não é fácil mas é um processo demorado e as coisas têm que ser bem feitas para não voltarem a acontecer desgraças.

Gostava de vos contar algo inspirador, a sério que gostava, só que não há milagres nem feitiços encantados que me façam ficar bem do dia para a noite.

Não vos consigo dizer o quanto quero ficar bem. O quanto quero ser uma adulta responsável e com um trabalho que me faça progredir, interesses que me inspirem e me façam continuar a viver e a levantar-me sempre que algo me mandar abaixo. Sinto que há quem não acredite em mim e que não consiga ver todos os esforços que tenho feito (e têm sido enormes) para melhorar. Gostava imenso de poder mostrar que não desisti, nem vou desistir e que o meu coração ainda acredita que daqui a uns tempos vou agradecer ter ultrapassado toda esta tempestade.

Por enquanto só me resta ir dando passinhos de bebé até um dia olhar para trás e perceber que esses passinhos se tornaram gigantes e que eu passei a ser um ser com uma mente e uma força gigante.

Vamos ter esperança.

O meu lugar aqui.

por AF, em 26.06.19

Sempre vivi numa espécie de bolha.

Cresci como uma criança tímida que detestava fazer avaliação de educação física à frente da turma com medo de falhar. Nunca tive facilidade em fazer amigos e a melhor altura do meu dia é quando estou sozinha e não preciso de falar ou ouvir ninguém. Resumindo, sou uma pessoa introvertida.

É claro que isso não é um enorme problema nem tem qualquer relação com a fibromialgia assim à primeira vista. Existem milhões de pessoas neste mundo que sentem as mesmas dificuldades em socializar e continuam a viver a vida delas felizes e contentes tentando alcançar os seus objectivos e a realizar os seus sonhos. Não é um problema, são apenas personalidades.

Mas as coisas mudam quando para além de introvertidos nos aparece uma pergunta na cabeça que chega tão rápido e doloroso como uma chapada na cara. O que é que eu estou a fazer aqui? Qual é o meu lugar aqui?

Por norma quando nós nascemos temos ali uns aninhos agradáveis em que não fazemos absolutamente nada da vida para além de comer, dormir e brincar. Somos felizes sem razão, apenas porque sim. Não questionamos o sentido da vida, não pensamos no trabalho que vamos ter no futuro ou nas responsabilidades que nos esperam. Somos inocentes e puros.

Depois chega ali por volta da altura do sétimo ou oitavo ano em que finalmente nos começamos a aperceber que os adultos esperam que nós - miúdos de treze e catorze anos - tenham alguma ideia do que "querem ser quando forem grandes" de uma forma mais realista. Passamos o nono ano a estudar para uns exames que todos (sem excepção) odiamos ter que fazer e quando, no fim disso tudo, tratamos dos papéis e matrículas para o décimo ano confrontam-nos com uma questão importante: o que é que vamos fazer a seguir?

Vamos para o ensino regular ou vamos tentar o profissional? Queremos línguas e humanidades, economia ou ciências? Queremos ser médicos, políticos, atletas, biólogos? Queremos o quê?

É aí que a coisa complica porque sejamos sinceros: quase nenhum miúdo nos seus quinze anos sabe o que quer da vida. Aquilo que sabemos é que para nós o ideal era sermos algo como estrelas de cinema, verdadeiros rockstars ou artistas que vão mudar o mundo. Queremos voar. Queremos ser reconhecidos, ser alguém.

Lá acabamos por escolher aquilo que achamos mais realista ou então somos corajosos e seguimos o nosso coração na esperança que façamos da nossa paixão um trabalho no futuro. 

O que importa é que a primeira vez que fazemos a primeira escolha importante do resto das nossas vidas somos uns adolescentes imaturos e completamente perdidos.

Mas tudo bem, vamos à luta. É altura do secundário - literalmente a pior altura da minha vida - e começamos a estudar coisas que se calhar não nos interessam mesmo para nada e pensamos num momento ou outro se escolhemos bem. Enfim, já está, já está, vamos lá acabar o secundário e despachar a coisa.

Acaba a escola. Dezoito anos e está na altura de realmente nos atirarmos aos lobos. Para os mais sortudos é altura da faculdade e da vida louca (ou não) e para outros é hora de nos fazermos de crescidos e começar a trabalhar. Sem curso e experiência vemo-nos obrigados a aceitar trabalhos que não nos interessam para nada, que nos exploram e nos pagam tão mal que quase choramos ao ver o ordenado no final do mês.

Mas não há problema, nós conseguimos. Isto é só para ganhar experiência e em breve vamos conseguir crescer numa empresa e encontrar algo que gostamos de fazer ou então vamos só juntar uns trocos para tirar a nossa licenciatura. Parece simples, não há nada que possa falhar num plano em que é só 1: trabalhar ou estudar, 2: colher os louros. Só que não.

A vida complica-se. A universidade é mais difícil do que parecia, o trabalho leva-nos ao limite de nos tornarmos psicopatas e temos que lidar com tudo com a maior maturidade possível porque já não somos crianças e isso é esperado de nós. As coisas começam a correr mal. Não conseguimos estudar ou ter realmente boas notas. Não conseguimos aturar mais tretas de clientes que descarregam os problemas todos da vida deles em nós. Não conseguimos lidar com a enorme desilusão de estarmos a ser esmagados pela sociedade e pela realidade.

O que é que acontece quando percebemos que nada disto é o que queremos?

Eu perdi o meu lugar. Na verdade nunca sei se alguma vez o tive ou soube onde realmente pertencia. Quando andava no oitavo ano achava que tinha a minha vida decidida e estruturada mas estava enganada porque a vida seguiu um rumo que eu não esperava e não queria. E quando de repente vi o tempo estava a passar e os meus sonhos pareciam cada vez mais longe percebi que o mundo real era bem mais frio e duro do que eu achava. Afinal só estamos aqui para ser mais um número. Para viver, trabalhar até o estado querer, descontar dinheiro que nunca vamos rever, ter direito a uma reforma miserável e morrer doentes, infelizes e acima de tudo sem nunca termos realizado o que queríamos.

Este pensamento magoou-me e assombrou-me durante tanto tempo que ainda hoje, que o tento contrariar ao máximo, me faz duvidar se a vida vale verdadeiramente a pena. Por isso senti-me perdida. Sinto-me perdida.

O pior pesadelo de um ser humano é ser confrontado com uma realidade que implica viver na mediocridade e, talvez, uma infelicidade constante? Vá, até posso estar a ser dramática mas eu não quero de todo entregar-me àquilo a que todos se entregam: trabalhar para pagar as contas no final do mês e nada mais.

Se estamos todos aqui para isto qual é o verdadeiro sentido de viver? Porque é que passamos uns 60 anos da nossa vida a criar dinheiro para outras pessoas usarem e abusarem quando nós não temos tempo nem sequer para explorar coisas novas, encontrar interesses que nos façam crescer como seres humanos. Porque é que vivemos durante tempo para morrermos insatisfeitos?

Esta é a dúvida que me percebe há muitos anos e que me faz ter vontade de desistir e nem sequer tentar ser mais uma prisioneira de uma sociedade que não foi feita para pessoas como eu. Não me acho especial, nem nada. Acho apenas que a vida não é para toda gente. Tal como nem todos nasceram para ser guitarristas, por exemplo.

Mas não se assustem. Ultimamente tenho tentado combater este meu conflito interior ao resolver os meus problemas pessoais e acima de tudo descobrir quem eu sou. Eu nunca soube quem era. Sempre soube quem eu não era e o que eu não queria. Sempre conheci a dor, a desilusão e a solidão e no meio disto tudo nunca consegui quebrar o ciclo e ver para lá do mal, ver quem eu realmente sou e o que represento.

Nunca consegui até agora.

O caminho tem sido difícil. Nem vos consigo explicar como tem sido complicado mudar completamente a minha mentalidade e começar a acreditar em coisas novas e, no fundo, a ter esperança de que há uma razão maior para eu estar aqui. Ainda não sei qual é mas tenho a certeza de que é importante continuar a lutar contra a depressão e contra a fibromialgia para me descobrir porque eu sei que sou mais do que distúrbios ou doenças. Eu sou mais que isso. Eu tenho qualidades e tenho potencial para ser mais. Para ser especial.

Ainda tenho muito medo de tantas coisas. Tenho medo da rejeição, da desilusão. Tenho medo de não ser boa o suficiente e de ser uma pessoa dispensável para os outros. Tenho medo de não conseguir sair do posso e de estar a esforçar-me para chegar um dia e perceber que nada vale a pena. Tenho medo que o corpo me falhe. Tenho medo que a cabeça não dê para mais. Tenho medo de não ter a inteligência ou as capacidades necessárias. Tenho medo de me resignar a ser infeliz num trabalho que não gosto. Tenho medo de voltar ao que era antes.

Mas mesmo com todo esse medo eu não deixo de seguir em frente. Estou a continuar e a esforçar-me como nunca me esforcei antes para navegar por mares desconhecidos e ver para lá do meu medo. De que me vale estar aqui se não vou tentar explorar e se vou ficar sempre presa a uma ilha de revolta e infelicidade? Eu vou navegar e vou descobrir. Talvez não seja uma descoberta tão importante como o caminho marítimo para a Índia mas vai ser mais significativa para mim e vai-me permitir alcançar muito mais.

Ainda não sei o que é ou onde é. Ainda não sei quem sou nem do que sou capaz.

Mas acreditem em mim: eu vou descobrir.

Emoções.

por AF, em 23.04.19

Sabem aquilo que nos faz funcionar todos os dias e nos distingue completamente de todos os animais existentes no planeta? Ora aí está: emoções.

O que torna este tema interessante para mim é o facto de não só me lixar porque tenho que lidar com elas para ter a vida minimamente estável como, assim que me deparo numa daquelas situações complicadas em que só me apetece explodir, as dores pioram.

Vamos fazer uma pausa para toda a gente fingir que está surpreendida. A fibromialgia tem a ver com as emoções? Que informação dramática.

Mas agora a sério, o maior problema da minha vida é sem qualquer dúvida esse. Ter que resolver problemas e não "panicar" logo de início, ficar frustrada e não bater em toda a gente, receber uma boa notícia e não sentir o êxtase que parece que andei nas drogas.... Isso tudo é importante para uma vida saudável mental e física.

Acontece que aqui a vossa amiga sabe isto tudo na teoria e depois quando chega a altura de pôr em prática... nada. Espalho-me ao comprido como se fosse um veado acabado de nascer. Ou como naquela vez que caí de cu na lama.... ou de cu em Madrid... ou de cu pelas escadas abaixo... Ora aí está uma acção representativa da minha vida.

Como eu estava a dizer eu não consigo ainda lidar com as emoções como se fosse uma adulta responsável. Sei colocar os papéis do IRS, mas resolver os meus conflitos interiores nem por isso. Que ironia.

Só que eu não sou a única e por isso é que estamos aqui. A verdade é que a grande maioria dos problemas da nossa vida (se é que não são todos) provém exactamente da nossa incapacidade de sentir uma coisa e descortiná-la da forma mais simples possível. Mas não, nós como somos pessoas super inteligentes pegamos nessa dita coisa, damos-lhe cinquenta voltas para ficar emaranhada como um novelo, damos-lhe uns suplementos alimentares para ela crescer e ensinamo-la a ser teimosa e quando damos por nós onde é que aquilo já vai. E como ela, fazemos o mesmo a tantas outras que sentimos.

Se vos disser que a minha médica hoje me disse que eu tenho feito um enorme trabalho no hospital a tratar de mim própria provavelmente não acreditariam. E é tudo muito bonito: eu chego lá, falo dos meus problemas, começo a ver soluções, começo a fazer planos de vida e quero é andar para a frente. Parece espectacular até ao momento em que acordo um dia e me sinto na verdadeira merda.

O que é que aconteceu? Porque é que eu estava tão bem e agora sinto que nada nesta vida faz sentido? Se vos conseguisse responder a isto claramente não estava lá no hospital. Já tinha tido alta e um certificado de honra de psiquiatria. Só que não.

As emoções fazem de nós quem somos. Não esperem, não é isto que eu quero dizer. As emoções fazem-nos mostrar quem as outras pessoas acham que somos no nosso dia-a-dia porque se não as conseguirmos controlar vamos obviamente parecer alguém que nem sequer reconhecemos no espelho. Elas fazem-me ser agressiva e implicativa, fazem-me criticar tudo e todos à minha volta, fazem-me não aceitar ser contrariada, fazem-me chorar demasiado e estar a rir feliz no momento a seguir. Às vezes não entendo como é que as pessoas ainda não me colocaram oficialmente o autocolante na testa a dizer "maluca" mas deve estar quase.

Também me fazem ser má para as pessoas que gosto e descarregar a minha revolta acumulada em quem não merece. E isso faz ricochete e acerta-me como um soco no estômago quando percebo que estou a errar e não me consigo controlar. Eu consigo, só que ainda não sei como.

Neste frenesim de sentimentos e acções tresloucadas o meu corpo decide-se juntar à festa e começa uma dor ali, outra dor aqui até que quando dou por mim já não me mexo. É profundamente ridículo e enervante porque eu não quero aceitar que isto seja só uma coisa da minha cabeça e que a culpa é minha mas cada vez que me enervo sinto dores como se me estivesse a castigar a mim própria por efectivamente ser humana.

Isto não é bom como é óbvio porque como devem calcular eu passo o dia numa montanha russa de sentimentos, emoções, estados de espírito e tudo o que signifique que não estou boa da cabeça. Quando chego ao fim do dia estou tão cansada que nem consigo ouvir a minha própria voz da consciência a pensar em qualquer coisa. Pior ainda é que quando durmo não consigo descansar e no dia a seguir recomeça esta aventura toda.

Por isso, na teoria a questão é muito simples: é preciso saber lidar com as emoções. Até aí tudo bem.

O resto? Bom, para isso desejem-me sorte!

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